Sábado, Outubro 14, 2006

PIU_PIU

“morto por formigas com golpes de machado, enquanto o resto escarnecia com aplausos e regabofe. Nem um cachorro sarnento acompanharia o funeral hipotético”

se alguma vez reparares nas minudências que te hão de arrumar, vai aparecer este retrato absurdo. um formigueiro inteiro e a essencial presença do coxo assassino. a lucidez do teu lado entrando em dueto com estas imagens. a vaga esboroada dum Spinoza vindo analfabeto em catedrais perdidas au arquétipo. a verdade dos pesadelos atrapalha bons samaritanos em corredores brancos do Júlio de Matos. Nem delirio nem patologia, uns panos agitam-se, umas pessoas caem de redondo no chão, uns lábios sopram numa harmónica. nos cantos da ala hexaédrica e panóptica resmungam-se os ditames acabados inflexiveis da forma e do contéudo. se ainda ontem meteste os sapatos na rua é altamente provável que a tua morte, natural, apenas constate que os vermes procuram os vivos e não os mortos.

o que podes fazer pequeno pássaro? as tuas asas foram atadas por um cordel antes de nasceres. e a tua filosofia foi passada a sujo num caderno vermelho com inscrições obscenas.

2 comentários:

[N] disse...
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[N] disse...

é possível transformar a lucidez em certas imprecisões do súbtil que, por enquanto, são ainda as únicas formas lúcidas de estar um pouco menos louco...