Sexta-feira, Julho 21, 2006

ANTIDEPRESSIVOS

Hoje o entendimento está cansado e incipiente, não sabe ler nem escrever na exuberância através dos olhos de porco. A renascença, depois de calçar as pantufas (a custo), é nula. É espírito de sonhos esculpindo dedos a significar silêncio na boca, é a saudade do sentido torcendo a coqueteria do ser. o dejecto dos comprimidos é engolido no ritual de empata grito em muletas.

A pluma tocou a testa num arco de luz baça, a profecia que suou o esqueleto de cal. ele vai Comprar logo o bilhete de comboio para junto daquela praia tempestuosa, as esplanadas fechadas e os guarda-chuvas destruídos, um homem estendido numa cadeira de lona alheio aos sobretudos que voam e às perucas que rastejam p´lo chão a braçadas.
Num certo sentido as coisas continuam as mesmas, apenas a vibração subtil nos bate nos ombros, com o pâpillon heraclitiano; já não precisamos de esperar, de balir em cordeiro: o ípsilon é-nos atribuído com a certeza inescapável para rebanho.

Sexta-feira, Julho 07, 2006

EM TRÂNSITO



vede as colunas de espelho, elas cimentam a dúvida, fugidas pela estrela aldebarã. sítios onde a imagem, como desígnio pífio, é a folha mal-escrita deixada ao desbarato, em cima da mesa de cabeceira em Rilhafoles.

Monólogo ainda que aparentemente bobo, cheio de conteúdo factual, relincha por trás da imagem menos composta,mais despenteada que se poderia imaginar. será decerto o essencial e necessário para poder anunciar as madrugadas possíveis, uma espécie de concepção ou pacto. entendam-se entre os dois (um) enquanto se queixam mutuamente. Porque é certo que na aventura comprida quaisquer inspecções aos ditos-feitos se estabelecerá, primeiramente, no ápice do individual dinâmico argumentativo que irá admitir os dois nêmesis de si, hierofânticos.

Quarta-feira, Julho 05, 2006

Algures

Algures existe uma cabeça cheia de pensamentos, cântaro cheio de cantigas e de saudades. Albas vagas salgando-se nos estilhaços de telefones que não tocam e de mãos que se esfregam de frio. Frio animal nas fronteiras do sangue e das pétalas de sonho e farpas. Brilha com angústia a vontade de lábios mordidos na sombra porque daquela vez eram risos numa tarde de verão. Cantigas e saudades da tarde de verão. Pudera, foi aí, foi aí que se deu o milagre. Esse onde os serafins devoravam com lentos passos as cinzas do alto. Respirações resplandecendo com puras marés de entendimento.
Agora a cabeça pende para a mesa pontuada por objectos avulsos. Livros, folhas, copos sujos com porcarias enfiadas dentro. Cotovelos fincados na planície austera. Mãos segurando a cabeça. Insultado pela ausência e pela presença o outrora alvo de milagres. Axioma esfolado, proibido de mostrar fraqueza ou choro ou uivo.
Pelo menos exteriormente sem a impressão de que o que queríamos nos magoara. Era o mesmo de agradecermos a sepultura com vénia ou balido. Seria uma beleza imperdoável para qualquer um, de imediato afastados do mundo dos vivos. Luminosa Filigrana, pétalas de sonho, nós desfeitos. Se realmente houvesse a expressão das fontes do sentido; das horas percorridas sem dar por isso.
Trouxeram a conta por fim, as tardes aniquiladas no esplendor. Eram trocos e notas que a alma não poupara. Algo apartado quotidianamente entre vislumbre extemporâneo, como que de uma cona angelical se tratasse.
Ao meio a danação, a mesa desarrumada. Os motivos alacres dos defuntos que passavam nas tardes roídas por ratazanas. A peste, a peste. Partir ou ficar? No entretanto imutável duram os cotovelos apoiados no tampo.

Sábado, Julho 01, 2006

Bah

O fracasso, o fracasso é a vitória e vice-versa. Porque parecem absolutamente iguais. O irrisório das coordenadas resumirem o mesmo de meter o dedo no nariz. E a rapariga sardenta com sorrisos de primavera, e essa? Daqui a algumas décadas estará tão vergada que nem uma muleta lhe valerá. É certo que poderia intervalar alguém entre noite e noite, alegria parca que vai ser rapinada. Depois vai engordar ou mirrar e ser digna de pena por um segundo.

E a pureza dos encantos, junto dos amantes podres, persegue-nos como se fossemos o alce na tundra, prestes a ser atado na brancura. O grande alce negro com os olhos atravessados de histórias para deitar no lixo da mercearia. Isto, logo num encontro marcado desde os primeiros gritos do nascimento.
E as práticas boas ou más, são canecas vazias. Perdão. Perdão? Eu que nem sei como pedir perdão ou a quem, pelo que se distinguiu dos actos ter sido apenas a fuga. E a história da rapariga e o alce na tundra formarem parágrafos semelhantes.

Uma e outra coisa igual uma e outra coisa igual uma e outra coisa igual umaeoutracoisaigual, uma e outracoisaigual

Agora vou fazer algo de importante ou nem por isso, comparar-me a formigas vadiando nas prateleiras da cozinha.