Principio de criação e principio de destruição. Na varanda segura-te à visão extemporânea, de preferência à noite e com a garrafa de vinho na mão; quando estão dissolutas as atribulações de vários animais de carga. a mortalha das trevas cobre o gordo escaparate de bibelots.
Uma vastidão de estrelas, elegia já banal, cliché. Mas quem diz o cliché como sussurrar “amo-te” aos ouvidos de ninguém e de toda a gente? Só o manto de estrelas, amável truísmo não-contingente. Por isso sublinha, esbraceja na varanda, barafusta com os vizinhos e exclama:
“Vocês, pândegos e vadias, tivessem sidero... Que surdez vos impede de ouvir as supernovas e as hecatombes; que escuridão vos impede de ver nas estrelas o reflexo do vosso olhar? sabeis, quiçá, que os numerários das classes, sejam quais, se encovam nas leis superiores? oh Maria, oh João, oh símio! oh eu! que ninguém nos percebe encolhidos sem serem estes espaços infinitos...”
Mas a vida, mais do que se compadecer com estes monólogos interrogados, confirma a cada passo, surda, a cálida insinuação de noute. ruge,bate, em pétala de fogo e em dor de parto, em coincidência plástica com amálgama de espirito, em tragos de vinho longinquo. uns andares abaixo da varanda as minhas palavras são chupadas por velhas, e o meu cadáver astral espelha nele o firmamento ignorado.
criação e destruição. Hegel sem ideia, como se o vazio desdobrasse no morto grosseiro e descalço, com os genitais em plano. Nela, sintese, Arrefecendo a dialéctica: “o universo existe e não existe ao mesmo tempo.”