Domingo, Janeiro 14, 2007

Estas palavras que não digo, são para um Deus que não existe.

INTEREGNUM

O bêbado tinha razão, o antagonismo é estranho. como se pode sustentar o contrário desta opinião, quando, no relance de porta entreaberta propositadamente se vislumbra o homem de gravata a fornicar com uma ursa?

evidentemente, metaforicamente.

quando acabarem as diferenças que rastejam por aqui, poderei ir a estrelas para que me levem os canhenhos da vida. estas rábulas semi-escritas, sim, e o facto delas serem o palimpsesto da minha figura de argila. seres puramente espirituais ficarão no esteio da função orgânica. uns quantos bêbados amigos jogando à bola no pátio da escola.

permeia-nos a infinitude de um ligamento, a hipótese da união ideal por ideias simplesmente absurdas para a compreensão

o abismo concludente dum Sephirot junto com cascas de fruta, endereçando cartas de amor sem destinatário. ao pé de latas de lixo, batendo à porta das considerações como corcunda de aureóla.

por enquanto ficará demonstrando a inépcia do conjunto dos desejos e o seu superlativo sorriso perante a obscena saia levantada.

Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

TEORIA SEM TEORIA

Através da vontade caminham as éticas ininteligiveis da fúria erótica. A sublimação das aparências não se verifica, é impossivel, final como o ponto final. O falo e a espada dominam as peliculas impenetráveis, hymem que não rasga e não dá criação. Por assumir o verdadeiro ensejo, de que o bastidor repleto manca de piolheira na cabeça da inteligência. somos furibundas máscaras de nêmesis entre uns.
Estudar o quê quando apetece perseguir fêmeas pudendas? cometer uma bondade quando quero roubar pão ao pobre? E quando interpelados produzimos mentiras: ia a correr para apanhar um autocarro, não estava a gritar. quem defecou em cima da criança foi o fantasma da minha imagem.
e Quantos definham no colo das mães enquanto especulamos, fintando a nomenclatura sincera, se somos maus ou bons, e que propósitos. As acções são egoicidades, um olhem para mim que me ponho em bicos de pés, e nem mesmo ensaio de couchon. as vontades e as acções animalescas enrolam-se mitologicamente no sub-consciente e conversam alegremente com homicidas, mitos de duplo. sombras.
ao lado uma mulher a passar em foco ofusco com a bilha de água na cabeça, e um pacóvio montado num burro. atenção. a caverna de Platão ainda tem espaço para os que hão de vir. Espaço para emparedar as efabulações da voz.

Domingo, Janeiro 07, 2007

TRAGÉDIA GREGA


O mundo escoa enquanto os poetas tacteiam pela irónica chuva de pétalas

Os sonhos morrem comidos por vagabundos de fato e gravata

Conto de Medeia, lixo na boca

Digo digo digo

Como o adolescente púbere que só sabe de lágrimas dores e amores frustados

Mas o cadáver, o mim o outro o tu, é ele

O eclipse é capaz de destruir a colónia de formigas sem esforço como tu esvazias o tempo da vida

Não é dor ou sofrimento ou mal, o romance mal-escrito, os pés frios deste inverno de árvores decrépitas

É com naturalidade que o caralho ejacula para cima das más intenções e dos epílogos destrutivos.