
Sombras na cabeça. A constatação sintética, ainda que parcamente consistente ou elucidativa de gestos de macaco a ribombar nas gaiolas. Curiosamente, pensando que enfim as ilusões esmorecem à nossa vontade, o antigo refrão socrático nos faz entender, que quanto mais se esfumam, essas ilusões, mais ganhamos o absoluto esdrúxulo no quanto perdemos de relativo objecto. Quando os artificios da razão se vão acumulando, conectamente, funcionalmente, burocratizando o espaço das sanfonas e dos apalpões, mais se põem a jeito do providencial pé quarenta que os esmague como migalhas de pão dadas a vermes de boca aberta. A virgindade das coisas, depois de desflorada pelos intelectos, sobe desavergonhadamente as escadas da pensão do espanhol, levando a bicharada pela mão, toupeiras de chapéu com pena, cadelas de saia cor-de-rosa, seres humanos envoltos em fumo. Supostamente irão cavaquear sobre altos assuntos, os mais relevantes, até ser madrugada nas mais altas esferas dos conselhos e das certezas.
Pois bem, passou do meiodia, e o espanhol, querendo arejar os quartos, lá bateu à porta. Abriu-lhe um galifão todo nu, branco como cal, já endereçado à posteriori para os infernos do pensamento conclusivo.

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