Quarta-feira, Setembro 02, 2009

o meu bloqueio

Olho para a imensa branquidão do papel, como se estivesse a olhar para o meu cadáver. Os dois nada diriam em qualquer caso. Junto-me em coro banal, por cima da minha cabeça balão sem legendas. Devem ter pago cinquenta reis e uma de champagne português à minha musa, para ela e eles estarem a contar anedotas no bairro da má fama, onde nem entro como participante para escorregar em cascas de banana ou desenhar castiçais para alumiar entradas de gargalos naquela buceta de pandora.

Quando persiste esta substância de facto, me parece, ironicamente, nem se distinguir das ocasiões em que blasonado, julgo correrem doutro modo.

No resultado do silêncio, no cachucho da arte, o discurso ir-se-á cambiar por moedas polacas ou angolanas, evidentemente incorrectas e deslocadas neste âmbito ou mesmo nos lugares de origem como a tromba do elefante num casamento católico. O meu bloqueio criativo e as traições da musa, para lá do fim do mundo onde agora estou, para lá das folhas brancas, riscadas ou não, me fazem prosseguir além dum sétimo dia praticando a ontologia geral. Concluindo isto, devo agradecer então, e efusivamente, ao buraco onde repousam tantos cachorros sem ideías e onde se interessam em nós múltiplas coisas de imbecis. A mais honesta das definições sentimo-la por sob as horas em que as flores da poesia são comidas por borralhos, directamente do bacio. Que guardem a suposta arte, que guardem a musa, cheia de pichotadas no rosto, bem arredada das minhas considerações opacas e solitárias, já estou farto de lhe ver o traseiro a engarrafar a porta da saída.

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