Sexta-feira, Setembro 11, 2009

OUTRO POEMA SOBRE LISBOA



Já não há roupa branca nas varandas; agora estendem, ou melhor penduram, corpos daqueles que sentem o coração contra as paredes

Vão ficar lá até serem roubados do estendal por engano, o joaquim queria o par de calças de ganga

Com o passar do tempo, macilentos e esquálidos, vão reforçando herméticos signos de escrita; Um Nerval, um demónio engravatado, um leproso de dez anos

Ao nivel das ruas a visão é dantesca, trambolhos gigantes e minusculos gastam a pedra granitica das esquinas

Os retratos da morte pregados nos postes dos cruzamentos e as asas dum pombo sujo a baralharem as cartas.

0 comentários: